Material Circulante

Elementos sobre material circulante da rede ferroviária nacional.

A introdução de veículos automotores na rede ferroviária nacional fez-se com as efémeras automotoras a vapor nos inícios do século XX. Na década de 40, para combater a escassez de combustíveis, são construídas as automotoras nacionais movidas a gasolina e finalmente em 1948 chegam as automotoras Nohab.

Dando continuidade ao programa de renovação e modernização do parque de material, em 28.08.1952 a CP assina um contrato com empresa holandesa Allan & C. para o fornecimento de 35 automotoras e 20 atrelados. As primeiras 10 unidades Allan de Via Larga, chegam em Março de 1954, ficando afetas ao Depósito de Máquinas de Campolide e  entram ao serviço comercial  na Linha do Oeste em agosto desse ano.

 

A introdução de veículos automotores na exploração ferroviária remonta ao final do século XIX. Na rede ferroviária portuguesa, a designada auto motorização iniciou-se em 1904 na Companhia Real com a aquisição de 4 automotoras a vapor de dois eixos à empresa francesa Valentim Purrey seguida, em 1906 pela Direção do Sul e Sueste com a encomenda à casa alemã A. Borsig, de duas automotoras com bogies que, em 1926 ainda efetuavam serviço Barreiro-Seixal.

Em 1941 a Companhia do Vale do Vouga põe ao serviço, uma automotora construída nas oficinas de Sernada do Vouga, com motor a gasolina. Em 1943 a CP constrói nas oficinas de Lisboa P uma automotora com motor a gasogénio que obtém grande sucesso. Contudo, a verdadeira modernização do parque de material circulante, inicia-se em 1948 com a entrada ao serviço das automotoras suecas Nohab, sendo as linhas da “Estrela de Évora” as primeiras a beneficiar deste tipo de serviço. Em 17.02 1955 a CP celebra contrato com a Nohab para o fornecimento de 14 bogies e mais peças acessórias para a transformação de 6 automotoras de eixos de bissel.

Nos anos 40 do século XX começam a chegar a Portugal, as primeiras automotoras e locomotivas diesel permitindo iniciar-se a retirada da tracção a vapor na exploração ferroviária.

Em 15.09.1948 chegam, a bordo do vapor Moçâmedes, as locomotivas diesel-eléctricas fabricadas pela ALCO nos EUA, com potência de 1500 hp, novidade absoluta em Portugal e na Europa. Adquiridas para serviços mistos de passageiros e mercadorias, nas linhas do Norte, Beira Alta e Sul, com peso distribuído por 6 eixos, dos quais 4 eram motores, podiam atingir a velocidade de 120km/h. Sofreram alterações nos boggies e no sistema de freio de vácuo para poderem circular nas linhas nacionais. Remotorizadas a partir de 1970, foram retiradas do serviço comercial em 2001.

A introdução da tração diesel na exploração ferroviária das linhas da CP implicou profundas alterações nos diferentes sectores da vida da empresa e dos seus trabalhadores. Procedeu-se à aquisição de novo material circulante, adaptação e modernização das oficinas e à formação do pessoal. Em 1948 a CP adquire nos E.U.A locomotivas diesel-eléctricas à ALCO – American Locomotive Company, novidade em Portugal e na Europa. Visto tratar-se de um novo material, em 12.02.1948 o Conselho de Administração autoriza a ida aos E.U.A., de um grupo de ferroviários composto por engenheiros, contramestres, chefes de brigada e maquinistas para visitar as oficinas da ALCO, fiscalizar o fabrico, frequentar cursos de formação e adquirirem os conhecimentos para a introdução do novo sistema de tração.

A introdução da tracção diesel na exploração das linhas da CP fez-se nos anos 40 do século XX  e obrigou a um conjunto de transformações em toda a empresa, com especial incidência na área do Material e Tração.

A diferente técnica de manutenção deste material, levou a que se instalasse em Campolide um posto de manutenção destinado ao diesel, cujos trabalhos foram dirigidos pelo Eng. João da Cunha Monteiro bem como, o estabelecimento de regras para a sua conservação. Consciente de que se estava a iniciar uma nova era na tração ferroviária, não só em Portugal como na Europa, João Monteiro conseguiu que o posto de Campolide gozasse de completa autonomia relativamente à estrutura tradicional, isto é, ficou com autonomia relativamente ao Depósito de Máquinas de Campolide, da Circunscrição de Material e Tração a que este pertencia e até ao Serviço Central da Tração, respondendo diretamente perante a Chefia da Divisão de Material e Tracão. 

No início da década de 40 do século XX a CP inicia um processo de alteração da tração a vapor para tração diesel e modernização do parque material. Neste sentido, desenvolvem-se negociações com empresas fornecedoras de material circulante para aquisição de diferentes tipos, em 17.12 de 1942 é assinado contrato com a Otto Wolf para o fornecimento de automotoras diesel-elétricas.

A II Guerra Mundial fez adiar a concretização dessas aquisições não só porque os preços aumentaram consideravelmente, a obtenção de financiamento tornou-se mais difícil mas também porque as empresas não conseguiam garantir a entrega do material encomendado dentro dos prazos estabelecidos. Adiadas as encomendas no estrangeiro para o fim da guerra, a CP construiu a sua própria frota de automotoras recorrendo aos chassis de camiões, com motores Chevrolet a gasolina e as caixas construídas nas oficinas de Santa Apolónia.

Com o objetivo de renovar a frota de material circulante e iniciar o processo de substituição da tração a vapor pelo diesel, a CP aprova em 04.08.1939 a aquisição de material circulante. Aos Estados Unidos da América – 12 locotractores diesel-elétricos para serviço de manobras à General Electric Lda e 28 carruagens à Budd Corporation; 10 automotoras grandes Essling, adquiridas por intermédio da casa Otto Wolf, de Colónia, sendo 4 diesel – elétricas e 6 diesel – mecânicas e 10 automotoras diesel -mecânicas tipo B à Itália.

O desencadear da II Guerra Mundial fez adiar a concretização dessas aquisições não só porque os preços aumentaram consideravelmente, a obtenção de financiamento tornou-se mais difícil e as empresas não conseguiam garantir a entrega do material encomendado dentro dos prazos estabelecidos.