As automotoras NOHAB

Ao serviço da CP desde 1948.

As automotoras diesel NOHAB entraram ao serviço da Companhia dos Caminhos de Ferro entre 1948 e 1949. A aquisição destas automotoras foi um dos mais importantes e fundamentais passos da estratégia de modernização da frota de material circulante e do serviço de passageiros da CP no pós-II Guerra Mundial, bem como da ferrovia portuguesa. Foram as primeiras automotoras diesel importadas a circular em Portugal.

O concurso lançado em 1945 para a aquisição deste material circulante automotor foi ganho pelo fabricante sueco NOHAB, que ficou responsável pela construção de 24 unidades de tipologias distintas, das quais 21 seriam para a rede de via larga e três para a rede de via estreita. As automotoras de via larga estavam divididas em dois tipos: uma versão mais longa, formada por 15 unidades e que viria a ser a futura série CP 0100; e outra mais curta, formada por apenas cinco veículos e que viria a ser a futura série CP 0050. Diferenciavam-se, sobretudo, pelas dimensões, potência e capacidade. As três automotoras de via estreita constituíram aquela que, posteriormente, viria a ser a nova série CP 9100.

O concurso juntou a DGCF – Direção Geral dos Caminhos de Ferro (18 unidades) e a CP (seis unidades) num único pedido de encomenda. Em 1946 foram assinados com a NOHAB os contratos de fornecimento dos novos comboios. Como meio de financiamento para esta operação, a DGCF recorreu ao Fundo Especial do Caminho de Ferro, enquanto a CP recorreu a fundos próprios. Um ano depois, celebrava-se novo contrato, desta vez para o fornecimento de reboques destinados à rede de via larga: seis foram adquiridos pela DGCF e cinco pela CP.

As automotoras de via larga foram entregues entre o final de 1947 e setembro de 1948. Chegaram a Portugal por via marítima, tendo desembarcado na doca de Alcântara, em Lisboa. É nas oficinas de Santa Apolónia que se procede à montagem dos motores e dos bogies, que viajaram separadamente. Este novo material circulante automotor foi posteriormente recebido nas Oficinas Gerais do Barreiro. Os reboques foram disponibilizados entre 1949 e 1951. A sua versatilidade permitia que circulassem em diferentes configurações. Tanto podiam operar como Automotora + Reboque ou apenas Automotora, ajustando-se assim aos diferentes níveis de procura e de tráfego.

A estreia oficial das automotoras NOHAB de via larga dá-se no dia 20 março de 1948, entre Casa Branca e Vila Viçosa. Entretanto, as três unidades de via estreita foram entregues entre fevereiro e março de 1949, tendo chegado por via marítima ao porto de Leixões, em Matosinhos. Foram desde logo encaminhadas para a estação de Livração – interface ferroviário das linhas do Douro e do Tâmega. A sua estreia no serviço comercial da Linha do Tâmega ocorre no dia 19 de maio desse ano.

No que diz respeito à cor, o esquema de pintura das automotoras NOHAB era formado por verde e creme, com o teto a prateado e duas listras amarelas ao nível das janelas e do subleito, ostentando o logotipo da Companhia nas laterais. Na década de 60, foi-lhes aplicado um esquema em tons de azul-escuro, com teto a prateado e duas listras vermelhas ao nível das janelas e do subleito. Nos anos 70, e já sob gestão dos Caminhos de Ferro Portugueses, foi-lhes aplicado o novo logotipo da CP nas laterais e o esquema de cores foi substituído pela pintura em tons de laranja e branco, com listras brancas nos topos. Estas foram as cores que acompanharam estas automotoras até serem retiradas do serviço comercial.

A carreira destas automotoras estendeu-se até aos anos 80 e 2000. Circularam em grande parte da rede ferroviária de via larga portuguesa destacando-se, sobretudo, a sua presença a sul do rio Tejo. Asseguraram também diversos comboios de passageiros nas linhas do Oeste e Beira Baixa, bem como nos ramais do Seixal, Montijo e da Lousã. A carreira das automotoras NOHAB de via estreita foi toda ela feita na Linha do Tâmega.

A progressiva eletrificação da rede ferroviária portuguesa e a chegada de novo material circulante automotor diesel e elétrico, contribuiu para o seu declínio. As NOHAB de via larga da série CP 051 a 056, saíram de serviço em meados da década de 80, enquanto que as da série CP 0101 a 0115 permaneceram em circulação até 2005. Três anos antes, em 2002, as NOHAB de via estreita série CP 9101 a 9103 foram retiradas definitivamente do serviço comercial.

O reboque NOHAB Ry 101 e a automotora NOHAB 0111 foram preservados e atualmente integram a exposição permanente do Museu Nacional Ferroviário no Entroncamento.