A Linha de Cascais
Inaugurada em setembro de 1889
A Linha de Cascais é uma ligação ferroviária em via dupla eletrificada, que liga a Estação do Cais do Sodré em Lisboa a Cascais. Com 25,4 quilómetros de extensão, o primeiro troço foi inaugurado em setembro de 1889, entre Cascais e Pedrouços. Seis anos depois, o comboio chegava ao Cais do Sodré.
A intenção de eletrificar esta via férrea surge, sobretudo, devido ao elevado preço do carvão e à concorrência da tração elétrica da Carris, com o início da exploração em 1901 da linha entre Cais do Sodré e Algés.
Em 1914 dá-se o primeiro passo significativo, quando o Estado autorizou a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses a subconcessionar a exploração da linha, sendo condição fundamental que o arrendatário proceda às obras necessárias para a eletrificação. Quatro anos mais tarde, em agosto de 1918, é assinado com a Sociedade Estoril, o contrato de transformação do sistema de tração e do arrendamento da exploração da linha por um período de 50 anos.
Em 1924, a Sociedade Estoril e a empresa alemã AEG assinam um contrato de aquisição de duas automotoras, montagem dos equipamentos fixos de energia e fornecimento dos equipamentos de tração do novo material circulante, cujas caixas seriam construídas pelo fabricante belga Baume & Marpent.
Com a eletrificação da Linha de Cascais à tensão de 1.5 kV corrente continua, previa-se um aumento significativo do número de circulações diárias. A inauguração dá-se a 15 de agosto de 1926, com o comboio a demorar apenas 22 minutos entre o Cais do Sodré e Cascais. No entanto, seis dias depois, a Sociedade Estoril é notificada pela Direção Geral dos Caminhos de Ferro, para suspender de imediato a circulação dos comboios elétricos, devido às perturbações sentidas nos serviços do cabo submarino da Eastern Telegraph Company, em Carcavelos. Até serem resolvidas as perturbações, a circulação voltava a ser feita com recurso à tração a vapor.
Só a 22 de dezembro desse ano é que esta questão técnica é resolvida, tendo sido posteriormente reposta a circulação dos comboios com tração elétrica. Para além da eletrificação, a instalação de sinalização luminosa com bloco automático e as passagens de nível automatizadas, foram outras das novidades que a Linha de Cascais trouxe ao panorama ferroviário português de então.
O prestígio da Linha de Cascais reforça-se, com o comboio internacional Sud Express a servir o Estoril, entre 1930 e 1940. A partir dos anos 40, a história desta via-férrea pauta-se por mais um conjunto de novidades e investimentos.
Em junho de 1944, dá-se a abertura à exploração do troço entre a Cruz Quebrada e o Estádio Nacional, que viria a ser encerrado já em meados dos anos 80.
Na década de 50, e no âmbito da renovação e reforço da frota da Linha de Cascais, é encomendado material circulante automotor à empresa inglesa Cravens of Sheffield, bem como uma locomotiva elétrica ao fabricante britânico General Electric Company (GEC). Nesta década foram também encomendadas automotoras à SOREFAME, cujos equipamentos elétricos seriam fornecidos pela GEC.
Em finais de 1976, com o fim do arrendamento, a Linha de Cascais passa a ser gerida pelos Caminhos de Ferro Portugueses. Sob a gestão da CP, em 1979, entraram em serviço comercial as novas unidades elétricas, também elas produzidas pela SOREFAME e com a parte elétrica da responsabilidade da General Electric Company. Os anos que sucederam caraterizam-se por investimentos pontuais e renovação da frota de comboios.
A Linha de Cascais foi pioneira ao ser a primeira linha da rede ferroviária portuguesa a ser eletrificada. Os investimentos na sua modernização vão contribuir para a passagem da eletrificação a 25 kV em corrente alternada - a mesma da restante rede ferroviária portuguesa -, e a aquisição de novo material circulante contribuirá também para uma melhoria significativa do serviço ferroviário.