Impacto das altas temperaturas no serviço ferroviário
A segurança dos passageiros e dos trabalhadores constitui a prioridade absoluta da CP. Perante as temperaturas excecionalmente elevadas registadas em várias regiões do país nos últimos dias e os desafios operacionais que estas condições colocam à exploração ferroviária, a empresa tem em curso um conjunto de medidas preventivas destinadas a minimizar riscos e a assegurar as melhores condições possíveis de conforto e assistência durante as viagens.
A resposta da CP assenta num conjunto integrado de medidas operacionais, de informação ao cliente e de apoio aos passageiros, que incluem a gestão preventiva da ocupação em determinadas circulações, nomeadamente alguns comboios de Longo Curso, através do bloqueio da venda de lugares em horários considerados mais críticos, o reforço dos mecanismos de comunicação e acompanhamento da operação e a disponibilização acrescida de água em vários pontos da rede.
Em simultâneo, a empresa mantém uma articulação permanente com as restantes entidades, tais como a Proteção Civil e a Infraestruturas de Portugal, acompanhando a evolução das condições de exploração da rede e adotando as medidas necessárias para responder de forma eficaz aos constrangimentos decorrentes deste episódio de calor extremo. Importa, igualmente, esclarecer que os efeitos das altas temperaturas não se limitam ao material circulante. O calor extremo pode afetar diferentes componentes da infraestrutura ferroviária, ao nível dos sistemas de sinalização, catenária, aparelhos de mudança de via e outros equipamentos fundamentais para a circulação segura dos comboios. A estas condicionantes acresce ainda o risco elevado de incêndio, que pode, e tem, originado interrupções e/ou retenções temporárias de comboios em determinados locais da rede ferroviária. Trata-se de uma realidade conhecida e transversal aos operadores ferroviários europeus, que enfrentam dificuldades acrescidas sempre que se verificam fenómenos meteorológicos extremos. De salientar que, tal como Portugal, a Europa debate-se com os mesmos desafios quanto à de fiabilidade devido ao envelhecimento das frotas adquiridas há mais de duas décadas. A idade média da frota em muitos países da União Europeia ultrapassa os 25 anos, pelo que a renovação de material circulante é uma preocupação comum.
No caso português, algumas séries de material circulante, em virtude da sua antiguidade, apresentam limitações face aos atuais padrões de climatização, encontrando-se a CP a implementar diversas medidas operacionais para minimizar o impacto destas condições extremas. Para procurar assegurar as melhores condições térmicas possíveis, os comboios parqueados são mantidos com as cortinas fechadas e/ou janelas abertas, de forma a reduzir o aquecimento das composições sem ar condicionado. Nos comboios equipados com sistemas de refrigeração, sempre que operacionalmente viável, os equipamentos permanecem ligados durante os períodos de estacionamento, garantindo níveis de conforto mais adequados para os passageiros. Apesar de todos os constrangimentos existentes, a CP garante, de forma inequívoca, que não está em causa a manutenção do ar condicionado dos comboios que se encontram a circular e que as manutenções periódicas de todo o material circulante são escrupulosamente realizadas pela empresa, incluindo a manutenção dos sistemas de climatização.
Neste contexto, e à semelhança do que tem vindo a acontecer em diversos países europeus durante episódios de calor extremo, a CP decidiu ajustar temporariamente a oferta em algumas circulações Intercidades nos períodos de maior calor, reduzindo o risco de situações que possam comprometer a segurança e o bem-estar dos clientes e dos trabalhadores e evitando, sempre que possível, a retenção prolongada de comboios durante períodos de calor extremo. A decisão incide sobre um número limitado de serviços identificados como mais suscetíveis às atuais condições meteorológicas.
A resposta estrutural a esta realidade encontra-se já em curso. Como é do conhecimento público, a CP está a desenvolver um vasto programa de renovação da sua frota, que inclui a aquisição de novos comboios para os serviços Urbanos de Lisboa, Urbanos do Porto e Regionais. As primeiras unidades deverão começar a operar no final de 2026, com entrada progressiva em circulação nos próximos anos. A título de exemplo, os novos comboios da Stadler e da Alstom estão a ser concebidos para as condições climáticas mais exigentes previstas para Portugal, cumprindo as normas europeias mais recentes em matéria de climatização e conforto térmico. No caso das Stadler, o material circulante foi concebido para operar num intervalo de temperaturas ambientes exteriores compreendido entre -5 °C e +45 °C, sendo que os equipamentos eletrónicos serão capazes de arrancar e funcionar sob uma temperatura ambiente máxima de +85 °C. Quanto às automotoras Alstom, o caderno de encargos preconiza o fornecimento de equipamentos projetados tendo em conta a zona climática de Portugal (que é a mais exigente em termos de funcionamento no verão). A regulação de temperatura interior com a temperatura exterior deverá ser similar à indicada para as Stadler.
A CP continuará a acompanhar permanentemente a evolução das condições meteorológicas e operacionais, reavaliando a necessidade de manutenção das medidas atualmente em curso. A empresa agradece a compreensão, confiança e colaboração dos seus passageiros e reafirma o compromisso de continuar a prestar informação de forma transparente, colocando sempre a segurança das pessoas como prioridade.