Ferroviários

O exercício da atividade ferroviária criou um novo grupo socioprofissional – os ferroviários – sujeitos a uma rígida disciplina, traduzida na Regulamentação e expressa nas nuances do fardamento, de uso obrigatório e ajustado às funções e ao grau hierárquico de cada um, por analogia com a instituição militar, que forneceu o modelo de organização e os primeiros técnicos especializados.

Ferroviário Vasconcelos Correia

Engenheiro Civil pela Escola do Exército.

Solicitou a admissão à Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses em 5 de fevereiro de 1895, sendo em 7 do mesmo mês colocado como aluno-montador, nas Oficinas Gerais de Santa Apolónia.

Em outubro de 1895, é nomeado aluno-maquinista, efetuando a prática de máquinas nos postos do Entroncamento e de Caldas da Rainha. Em 1896, desempenha as funções de fogueiro e maquinista nos postos de Castelo Branco, Lisboa P e Campolide. Em outubro de 1896, é colocado no Depósito de Máquinas do Entroncamento como maquinista de 2.ª classe, assumindo as funções de Subchefe do depósito de máquinas de Campolide, a partir de janeiro de 1897, e de Adjunto-Chefe das Oficinas, a partir de agosto. Em 1 de janeiro de 1899, foi promovido a Subinspetor de Tração e, dois anos mais tarde, a Inspetor. Em janeiro de 1904, passa a Engenheiro do Serviço de Tração, sendo o encarregado da missão que, em maio desse ano, se deslocou a França para conhecer o serviço de condução de locomotivas de comboios expresso rápidos.

Em 18 de maio de 1905, o Conselho de Administração nomeia-o Engenheiro Adido à Direção-Geral, de onde transitou, em janeiro de 1906, para Engenheiro-Chefe dos Serviços do Movimento e em 1910 passa a Engenheiro-Adjunto Chefe da Divisão da Exploração.

Em dezembro de 1910, é nomeado membro do Conselho de Administração e da Comissão Executiva e, em 1926, é nomeado vice-presidente. Em maio de 1933 é nomeado Presidente do Conselho de Administração da então Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses.

Engenheiro eletrotécnico e de Mecânica pela Faculdade de Engenharia do Porto. Iniciou a sua atividade profissional na Marconi. Em fevereiro de 1944 é admitido na Companhia do Vale do Vouga, faz o estágio nas oficinas do Minho e Douro em Campanhã. Em maio de 1944 é nomeado chefe do Serviço de Material e Tração. Em 1947, com a concessão Única passa para a CP onde ascendeu às seguintes categorias: 1949 – engenheiro adjunto, 1950 integrado no Grupo de Trabalho do Plano Marshall e vai para os EUA. Em 1955 é engenheiro de 2ª classe, 1961 chefe do 2º Grupo Oficinal no Entroncamento e em 1963 chefe do 3º Grupo Oficinal no Barreiro.

Em 1965 nomeado subchefe dos Serviços Técnicos, em 1966 chefe dos Serviços Técnicos, 1969 chefe do Departamento do Material e Tração e Oficinas, 1970 diretor do Departamento e em 1974 diretor Industrial.

A sua larga permanência na chefia de serviços de material e tração, aliada a conhecimentos  adquiridos em numerosas viagens ao estrangeiro em representação da Companhia, fizeram-lhe granjear um conceito de técnico destacado no quadro dos engenheiros ferroviários portugueses, devendo-se ainda, acrescentar o seu espírito estudioso e de investigador.

Ferroviário Cottinelli TelmoJosé Ângelo Cottinelli Telmo nasceu em Lisboa, a 13 de novembro de 1897, desde muito jovem demonstrou tendência para a criatividade.

No Liceu Pedro Nunes, iniciou-se na escrita, desenho, música e fotografia. Frequentou a Escola de Belas – Artes de Lisboa (1915-1920). Foi através da imprensa que primeiro se tornou conhecido, graças à publicação de banda desenhada e à criação do “ABCzinho”, uma revista infantil que dirigiu entre 1921 e 1929.

A sua carreira de arquiteto iniciou-se em 1922 ao ser selecionado para a execução do projeto do Pavilhão de Honra de Portugal na Feira Internacional do Rio de Janeiro, em colaboração com outros arquitetos.

Em 1923, entra para CP, ao ser admitido para a Divisão de Construção, grande parte da sua carreira foi passada ao serviço desta empresa, contribuindo para a modernização da sua arquitetura.

Projetou os edifícios de passageiros para diversas estações (Vila Real de Santo António, Estação do Sul e Sueste, Cúria, Tomar…) torres de sinalização (Ermesinde e Pinhal Novo), postos médicos (Sanatório da Covilhã), armazéns de víveres (Barreiro, Abrantes, Beja), bairros (Bairro Camões no Entroncamento), dormitórios (na estação de Campanha), “Escola Profissional de António Vasconcelos Correia em Campolide e colónias de férias (Praia das Maçãs).

Colaborou na dinamização do “Boletim da C.P.” publicando artigos, desenhando capas e ilustrações. Desenhou cartazes publicitários para os serviços da Empresa e estudos para uniformes dos ferroviários. Entre 1937-38 realizou vários documentários cinematográficos sobre temática ferroviária.

Além do trabalho desenvolvido na CP, participou em diversos concursos públicos, em 1934 foi premiado no projeto de renovação estética do Rossio e o Ministro das Obras Públicas, Duarte Pacheco, encarregou-o da elaboração de um plano de edifícios prisionais a construir em todo o país. A partir daí inicia uma relação de trabalho privilegiada com o Ministro que lhe entregou importantes encomendas de obras públicas.

Nomeado arquiteto chefe da Exposição do Mundo Português (1940), o que lhe permitiu trabalhar e coordenar uma equipa que reunia os nomes mais importantes da sua geração – arquitetos, escultores, pintores, decoradores e artistas gráficos.

A atração pela diversidade de formas de expressão artística levaram-no a realizar “A canção de Lisboa” (1933); a dirigir a “Revista Oficial do Sindicato Nacional dos Arquitectos (1938/42); escrever artigos de crítica de arte para o semanário “Acção” (1941/42), sem nunca descurar os trabalhos de ilustração, cartazes e selos (emissões “Castelos Portugueses – 1946 e “Exposição de Obras Públicas – 1948)

Constituindo um caso singular no panorama arquitetónico e artístico nacional, a sua morte em 1948, deixou um vazio na equipe que coordenava na CP e no meio artístico nacional difícil de preencher.

 Engenheiro civil pela Universidade do Porto.

Em 1942 entrou para a Companhia Portuguesa dos Caminhos de Ferro da Beira Alta, sendo nomeado subchefe de Serviço em 1945.

Com a incorporação da Linha da Beira Alta na CP em 1947 passou a fazer parte dos quadros desta sendo promovido em 1955 a Engenheiro de 2ª classe, em 1961 passou a Engenheiro de 1ª classe, em 1964 chefe de serviço de Obras metálicas, 1967 Subchefe do Departamento da Via e Obras e em 1969 chefe do mesmo.

Especializado em pontes, especialmente estruturas metálicas, desempenhou um importante papel na substituição das pontes da Linha da Beira Alta e na renovação da via no eixo Braga-Faro.