Profissionais

Informações sobre os profissionais do caminho de ferro desde 1856.

Associado à construção e exploração de caminhos-de-ferro em Portugal surge o associativismo ferroviário. Numa fase em que o Estado não apresentava soluções para a proteção social dos trabalhadores, os ferroviários das diferentes companhias, desenvolveram iniciativas para a defesa de interesses e proteção social que se traduziram na criação de associações de socorros mútuos.

Em 01.01.1924 a administração da Companhia Portuguesa para a Construção e Exploração de Caminhos de Ferro, responsável pela construção e exploração das linhas do Vale do Vouga aprova o regulamento da Caixa de Aposentações e Socorros. Além das pensões de reforma e sobrevivência, a caixa concedia ainda aos seus sócios, auxilio na doença, ensino primário e industrial, criação de bibliotecas, aluguer de habitação a preços económicos, fornecimento de bens de 1ª necessidade cujo valor seria descontado mensalmente, subsídio para funeral entre outros.

As diferentes companhias que construíram e exploraram caminhos-de-ferro em Portugal, foram concedendo ou apoiando a construção estruturas sociais para os seus trabalhadores como bairros, escolas para aprendizes, colónias de férias, bibliotecas, serviços médicos, armazéns de víveres, grupos desportivos entre outras. Financiadas diretamente pelas empresas ou através dos próprios trabalhadores associados, funcionaram como elemento fundamental de apoio social, recursos dinamizadores da formação/educação e vida para além do trabalho diário. 

 Dos diferentes projetos aprovados, em 22. 05.1925 a CP envia à Comissão de Plano de Obras Novas, o projeto para a construção de casas para o pessoal do Divisão de Exploração, elaborado pelo serviço de Construção.

A introdução dos caminhos-de-ferro em meados do século XIX implicou uma concentração de meios sem precedentes e o exercício da atividade ferroviária traduziu-se nas mais variadas funções e carreiras profissionais. As companhias assumiram-se como polos de grande concentração de mão-de-obra, com pessoal no quadro e um grande número de eventuais e suplementares. Desde cedo, empregaram mão-de-obra feminina, sendo a guarda de passagem de nível uma das funções com mais visibilidade.

 Em 24.01.1938, e dando continuidade à política de melhoramentos concedidos aos seus funcionários, a CP publica a Ordem da Direção Geral nº 256 com medidas de proteção à maternidade, concedendo então regalias por ocasião do parto: 30 dias de licença a todo o pessoal feminino do quadro ou suplementar; um ano de trabalho consecutivo dava direito a um subsídio igual a um terço do salário e às guardas de passagem de nível acrescia-se um suplemento de 50$00.

 Em julho de 1899 o governo autoriza a constituição de uma Caixa Especial de Aposentações do Pessoal Administrativo e Jornaleiro dos Caminhos de Ferro do Estado. Com gerência e subsidiada pelo Conselho de Administração, assegurava as mesmas regalias atribuídas aos restantes trabalhadores ferroviários pela Caixa de Socorros dos Caminhos de Ferro do Sul e Sueste.

O alvará foi assinado em 31.01.1901 e alterou a sua designação para Caixa de Aposentações e Socorros dos Caminhos de Ferro do Estado que absorve a anterior caixa, fica responsável pelo pagamento das pensões concedidas a sócios inválidos e suas famílias, define pensões de reforma de 25%, 50% e 75% dos salários dos diferentes trabalhadores podendo estas, por decisão do CA, ser atribuída na totalidade para empregados e operários que “pelos seu relevantes serviços fossem merecedores de tal recompensa”.

 

Associado à construção e exploração de caminhos-de-ferro em Portugal surge o associativismo ferroviário. Apesar dos ferroviários, trabalhadores de diferentes companhias, terem condições de trabalho e regalias sociais mais ou menos idênticas de norte a sul do país, nem sempre estiveram unidos na defesa d e interesses e proteção social o que justifica a existência de várias associações de socorros mútuos. Em 18.06.1872 são aprovados os estatutos da primeira sociedade ferroviária de tipo mutualista, a Associação Humanitária do Pessoal dos Caminhos-de-ferro a sul do Tejo, com sede no Barreiro. Na associação apenas eram admitidos os ferroviários dos caminhos-de-ferro do Sul e Sueste, com idades entre os 15 e os 45 anos, capacidades para trabalhar e do sexo masculino.