Profissionais

Informações sobre os profissionais do caminho de ferro desde 1856.

A construção da rede ferroviária nacional veio provocar profundas alterações no conceito de viagem em Portugal bem como o ato de viajar. Ao facilitar-se as viagens e as comunicações, surgem as viagens por prazer, com componentes educativas ou/e saúde. Conscientes dessa possibilidade, e aproveitando o crescente interesse pelas mesmas, as empresas ferroviárias desenvolveram um conjunto de ofertas comerciais, planificaram serviços e estabeleceram acordos com outras redes ferroviárias com o objetivo de incentivar a viagem turística.

Consciente da necessidade de apoio à exploração turística, o Conselho de Administração da CP em 11.07.1963 aprova uma nova tabela de gratificações aos colaboradores com domínio das línguas inglesa, francesa e alemã afetos ao Serviço de Informações das estações.

No desenvolvimento de medidas de apoio aos ferroviários, em particular ao crescente número de trabalhadoras com filhos pequenos, a Comissão dos Serviços Sociais Ferroviários da CP inaugura no dia 26.05.1971, o primeiro Infantário da empresa. Localizado no edifício da cantina da Calçada do Duque, destinava-se aos filhos dos funcionários da área de Lisboa, dos 2 meses aos 6 anos.

Com capacidade para 50 crianças, o infantário disponha de 3 salas, um posto médico, duas cozinhas, uma lavandaria e área de recreio. Dirigido por uma assistente social, delegada do setor de Habitação e Cultura da CP, contava ainda com a colaboração de duas educadoras de infância, pediatra, auxiliar de enfermagem e pessoal auxiliar e de cozinha.

O Instituto Ferroviário do Sul e Sueste, também conhecido por Instituto Ferroviário do Barreiro, teve origem no Cofre Amparo Viúvas e Órfãos dos Ferroviários do Sul e Sueste, concedia pensões mensais às viúvas e órfãos não abrangidos pela Caixa de Reformas e Pensões dos Caminhos de Ferro do Estado. Os estatutos foram aprovados em 09.05.1924 mas, apenas foi inaugurado em 01.01.1927. Sediado no Barreiro, além da proteção aos órfãos de ferroviários, tal como o Cofre de Amparo, amplia a sua ação concedendo alojamento a filhos e filhas de ferroviários de toda a rede ferroviária, dos 6 aos 18 anos, ensino primário e preparação técnica. Além disso, proporcionava ainda, a frequência do ensino industrial e ensino superior.

As colónias de férias para filhos de ferroviários iniciaram-se nos anos 30 do século XX, primeiro na Costa da Caparica e depois na Praia das Maçãs. O sucesso da iniciativa levou a que a CP apoiasse a abertura de outras colónias, passando estas a ser dirigidas pela Comissão de Assistências, na dependência direta do Conselho de Administração.

Uma dessas colónias, começou a funcionar em 1947 em Cassurrães, na Beira Alta, numa casa particular e adaptada para o efeito, aguardando a inauguração do edifício que a CP iria construir em terreno adquirido à Câmara Municipal de Mangualde. Inspirado no projeto da colónia da Praia das Maçãs do arquiteto Cottinelli Telmo, construída pela Divisão de Via e Obras, foi inaugurada em 26.07.1949, contribuindo para o aumento do número de crianças e jovens que beneficiavam deste tipo de equipamento.

Associado à construção e exploração de caminhos-de-ferro em Portugal surge o associativismo ferroviário. Numa fase em que o Estado não apresentava soluções para a proteção social dos trabalhadores, os ferroviários das diferentes companhias, desenvolveram iniciativas para a defesa de interesses e proteção social que se traduziram na criação de associações de socorros mútuos.

Em 01.01.1924 a administração da Companhia Portuguesa para a Construção e Exploração de Caminhos de Ferro, responsável pela construção e exploração das linhas do Vale do Vouga aprova o regulamento da Caixa de Aposentações e Socorros. Além das pensões de reforma e sobrevivência, a caixa concedia ainda aos seus sócios, auxilio na doença, ensino primário e industrial, criação de bibliotecas, aluguer de habitação a preços económicos, fornecimento de bens de 1ª necessidade cujo valor seria descontado mensalmente, subsídio para funeral entre outros.

As diferentes companhias que construíram e exploraram caminhos-de-ferro em Portugal, foram concedendo ou apoiando a construção estruturas sociais para os seus trabalhadores como bairros, escolas para aprendizes, colónias de férias, bibliotecas, serviços médicos, armazéns de víveres, grupos desportivos entre outras. Financiadas diretamente pelas empresas ou através dos próprios trabalhadores associados, funcionaram como elemento fundamental de apoio social, recursos dinamizadores da formação/educação e vida para além do trabalho diário. 

 Dos diferentes projetos aprovados, em 22. 05.1925 a CP envia à Comissão de Plano de Obras Novas, o projeto para a construção de casas para o pessoal do Divisão de Exploração, elaborado pelo serviço de Construção.

A introdução dos caminhos-de-ferro em meados do século XIX implicou uma concentração de meios sem precedentes e o exercício da atividade ferroviária traduziu-se nas mais variadas funções e carreiras profissionais. As companhias assumiram-se como polos de grande concentração de mão-de-obra, com pessoal no quadro e um grande número de eventuais e suplementares. Desde cedo, empregaram mão-de-obra feminina, sendo a guarda de passagem de nível uma das funções com mais visibilidade.

 Em 24.01.1938, e dando continuidade à política de melhoramentos concedidos aos seus funcionários, a CP publica a Ordem da Direção Geral nº 256 com medidas de proteção à maternidade, concedendo então regalias por ocasião do parto: 30 dias de licença a todo o pessoal feminino do quadro ou suplementar; um ano de trabalho consecutivo dava direito a um subsídio igual a um terço do salário e às guardas de passagem de nível acrescia-se um suplemento de 50$00.

 Em julho de 1899 o governo autoriza a constituição de uma Caixa Especial de Aposentações do Pessoal Administrativo e Jornaleiro dos Caminhos de Ferro do Estado. Com gerência e subsidiada pelo Conselho de Administração, assegurava as mesmas regalias atribuídas aos restantes trabalhadores ferroviários pela Caixa de Socorros dos Caminhos de Ferro do Sul e Sueste.

O alvará foi assinado em 31.01.1901 e alterou a sua designação para Caixa de Aposentações e Socorros dos Caminhos de Ferro do Estado que absorve a anterior caixa, fica responsável pelo pagamento das pensões concedidas a sócios inválidos e suas famílias, define pensões de reforma de 25%, 50% e 75% dos salários dos diferentes trabalhadores podendo estas, por decisão do CA, ser atribuída na totalidade para empregados e operários que “pelos seu relevantes serviços fossem merecedores de tal recompensa”.

 

Associado à construção e exploração de caminhos-de-ferro em Portugal surge o associativismo ferroviário. Apesar dos ferroviários, trabalhadores de diferentes companhias, terem condições de trabalho e regalias sociais mais ou menos idênticas de norte a sul do país, nem sempre estiveram unidos na defesa d e interesses e proteção social o que justifica a existência de várias associações de socorros mútuos. Em 18.06.1872 são aprovados os estatutos da primeira sociedade ferroviária de tipo mutualista, a Associação Humanitária do Pessoal dos Caminhos-de-ferro a sul do Tejo, com sede no Barreiro. Na associação apenas eram admitidos os ferroviários dos caminhos-de-ferro do Sul e Sueste, com idades entre os 15 e os 45 anos, capacidades para trabalhar e do sexo masculino.