Construções/Inaugurações

Dados históricos sobre a construção e inauguração da rede ferroviária nacional.

A construção e exploração de uma linha de caminho de ferro do Barreiro a Vendas Novas e Ramal de Setúbal foi atribuída, em 1854, a um grupo de capitalistas, que formaram a Companhia dos Caminhos de Ferro ao Sul do Tejo, mais conhecida pela companhia dos “brasileiros”. Os trabalhos de construção foram adjudicados por empreitada à sociedade representada por Tomás da Costa Ramos.

 Em 02.02.1959 o Rei D. Pedro V, grande impulsionador do novo meio de transporte e interessado no desenvolvimento dos negócios ferroviários, acompanhado do seu pai D. Fernando e a Rainha D. Estefânia, viaja entre o Barreiro e Vendas Novas, num comboio preparado para o efeito para acompanhar o desenvolvimento dos trabalhos.

Os primeiros projetos para dotar o pais com caminhos de ferro surgem na década de 40 do século XIX, durante o governo de Costa Cabral e da Companhia das Obras Públicas. Pretendia-se a construção de uma via-férrea que ligasse Lisboa à fronteira de Espanha. Nos projetos que foram sendo apresentados, Badajoz surgia como o local fronteiriço que reunia maiores consensos, já que era por este ponto da fronteira que tradicionalmente se faziam as ligações comerciais entre os dois países.

Para resolver em definitivo o local de encontro das linhas férreas na fronteira, é nomeada em 06.11.1854 uma comissão formada por Manuel Júlio Guerra, Isidoro Baptista Carlos Ribeiro e Joaquim Nunes de Aguiar para se reunir em 13 de novembro com a sua congénere espanhola.

Aprovado como modelo de modernização e desenvolvimento do país, várias foram as propostas apresentadas, para construção e exploração de caminhos-de-ferro em Portugal.

Em 26.08.1854, os representantes da Companhia Nacional dos Caminhos de Ferro ao Sul do Tejo, Marquês de Ficalho e José Maria Eugénio de Almeida, concessionária da Linha do Sul do Barreiro a Vendas Novas e ramal para Setúbal, assinam um adicional ao contrato de construção de julho de 1854, para ligar o Tejo com o Sado, entre o Barreiro e Setúbal.

A Companhia Central Peninsular dos Caminhos de Ferro em Portugal foi constituída em Londres, a 14.05.1852, tendo sido uma das companhias que apresentou proposta para a construção de uma linha férrea de Lisboa a Santarém e daí até à fronteira de Espanha. 

Em 13.05.1853 foi assinado o contrato entre o Governo Português e o representante da Companhia, Hardy Hislop, para a construção. Os trabalhos de construção foram entregues aos empreiteiros Shaw & Waring Brothers  que os iniciaram em 17 de Setembro do mesmo ano. 

Em Agosto de 1855 os trabalhos de construção são suspensos por alegada falta de pagamento da Companhia Central Peninsular aos empreiteiros Shaw & Waring Brothers. O Governo, através do Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria, assumiu a responsabilidade da continuação dos mesmos, e estabelece um acordo com os empreiteiros para a rescisão do contrato de construção. 

Em 13.05.1853, o governo estabelece um contrato com Hardy Hislop, diretor e representante da primeira companhia a construir caminhos de ferro no nosso país – Companhia Central dos Caminhos de Ferro em Portugal - para a construção do caminho de ferro de Lisboa à fronteira, passando por Santarém.

O projeto da linha que partia do Largo do Intendente, seguia pelos Olivais, Sacavém, Póvoa, Alverca, Vila Franca, Castanheira, Vila Nova, Azambuja, Ponte de Sant’Ana e Omnias perto de Santarém foi submetido à aprovação do Governo em dezembro de 1852. Este, através do Conselho Superior de Obras Públicas, ordenou alterações ao traçado, a linha teria de partir do Cais do Soldados (Santa Apolónia), valorizando-se a ligação ao Tejo e seguir pelo norte do canal de Azambuja de forma a facilitar o seu prolongamento para lá de Santarém.