05-08-2022

Investimento em mobilidade sustentável

Artigo do Vice-Presidente da CP, Pedro Moreira, na Mob Magazine.

Face ao cenário de evidente défice que se vinha a verificar há já alguns anos, havia necessidade de recuperar os níveis de serviço do transporte ferroviário de passageiros, a fim de garantir o direito à mobilidade das populações e, em simultâneo, o desenvolvimento e a sustentabilidade da CP a médio e longo prazo.

Para essa recuperação, era fundamental promover a recuperação, renovação, fabrico e aquisição de material circulante e reforçar a capacidade operacional e funcional.

Por isso, foram definidas  orientações estratégicas que permitiram essa recuperação, plasmadas na Resolução do Conselho de Ministros nº 110/2019, de 27 de junho.

A partir daí, deu-se um processo de revitalização do serviço de transportes ferroviário de passageiros efetuado pela CP, recuperando-se os níveis de serviço do transporte ferroviário de passageiros em Portugal no curto prazo e, posteriormente, prosseguindo no sentido do desenvolvimento e sustentabilidade da empresa a médio e longo prazo.

Um dos principais processos aconteceu a 1 de janeiro de 2020, com a incorporação da EMEF (Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário).

Este aspeto foi relevante, porquanto, a CP deixou de ser apenas uma empresa de transporte ferroviário de passageiros, passando a deter também in house competências em áreas como a manutenção, reparação, grande reparação e reabilitação de material circulante ferroviário, incluindo todas as atividades complementares, e bem assim em áreas como as de estudos e conceção de instalações oficinais, fabrico, reparação e manutenção de componentes e desenvolvimento de soluções informáticas.

Na génese da decisão de fusão esteve também a recuperação dos índices de disponibilidade e fiabilidade do material circulante, por forma a garantir elevados níveis de regularidade da operação, cumprindo níveis de serviço público fixados entre a CP e o Estado português.

Outro aspeto relevante foi a celebração do contrato de obrigações de serviço público com o Estado português, que é a base para a definição dos investimentos e das despesas operacionais necessárias ao cumprimento dos objetivos estratégicos definidos.

Pretende-se, assim, estabilizar e tornar previsível a relação entre a CP e o Estado, ao contrário da prática anterior de pagamento de indemnizações compensatórias.

Foi, ainda, possível desencadear todo um processo de recuperação de material circulante histórico e assim fomentar o turismo ferroviário (seis carruagens, três veículos de apoio aos comboios históricos e uma automotora Allan de via estreita), assim como encetar um plano de recuperação de material circulante para o serviço público de transporte ferroviário de passageiros, recuperando-se cinco automotoras da série 2400, duas automotoras da série 3500, duas automotoras da série Allan, treze carruagens Schindler, nove carruagens Sorefame, nove carruagens ARCO, dez locomotivas da série 2600, duas locomotivas da série 1550 e quatro locomotivas da série 1400.

Todo este grande esforço de recuperação permitiu mitigar as verdadeiras necessidades, mas o é facto é que terá de ser efetuada uma substituição a muito curto prazo de uma parte relevante da atual frota de material circulante da CP.

A necessidade de aquisição de material circulante da CP para os próximos anos, estima-se em mais cerca de 750 veículos, apenas e só para substituir a totalidade dos veículos existentes, pois a frota atual da CP comporta na totalidade cerca de mil e cem veículos, isto tendo como pressuposto a reabertura da Linha de Leixões, a construção da Linha do Vale do Sousa, a nova linha de alta velocidade e o reforço da Linha de Sintra, face ao previsto no PNI2030.

Nesse sentido, está já em desenvolvimento o contrato de aquisição de 22 automotoras, 12 bimodo e dez elétricas, cuja primeira entrega se perspetiva durante o ano de 2025.

Foi também lançado um concurso para a aquisição de 117 unidades múltiplas, 62 unidades para os serviços urbanos e 55 unidades regionais.

As unidades para os serviços urbanos, serão afetadas (34) à Linha de Cascais para substituir o atual material circulante em serviço nesta Linha.

No que diz respeito às restantes, serão 16 unidades para afetar aos serviços urbanos de Lisboa e 12 unidades a afetar aos serviços urbanos do Porto, com o objetivo de aumentarmos a capacidade nestes centros urbanos e assim darmos resposta à expectável aumento da procura.

Relativamente às restantes 55 unidades, elas serão afetas aos serviços regionais e destinam-se a reforçar a oferta neste segmento de serviço.

Para além das necessidades para o tráfego nacional, pretende-se o reforço do parque de material circulante da CP para os serviços de longo curso.

Com tudo isto, a CP contribui para que Portugal atinja os objetivos assumidos no Acordo de Paris e na União Europeia, e também cumprir a sua visão como líder nacional de mobilidade integrada – simples, pessoal e sustentável e concretizando a sua missão de ligar pessoas e comunidades, de forma sustentada e alicerçada no modo ferroviário.

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