Engenharia e Oficinas

Inovação na gestão e eficácia do serviço público.

Na década de vinte, a organização industrial do trabalho oficinal na maior empresa ferroviária do país, a CP-Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, sofreu profundas alterações. Resultou da introdução de modernas técnicas de organização de trabalho e de novas fontes de energia da oficina, máquinas e iluminação.

Alterando a fisionomia da oficina e a produtividade da mesma, foi necessária a preparação adequada dos operários à nova dimensão da sua missão. Para obter essa mão-de-obra qualificada a CP promoveu a criação de escolas de formação: as escolas de Aprendizes, as de Contramestres e Chefes de Brigada e ainda as de Maquinistas e Fogueiros.

Em simultâneo planeou e organizou visitas de trabalho, também designadas por missões de estudo, a empresas ferroviárias europeias e, a partir dos anos 30, alargou-as aos EUA.
Com particular incidência nas áreas do material circulante, a missão era composta por quadros superiores da companhia (administrador, diretor da divisão e serviço) e incluindo ainda mestres de oficina e contramestres.

Estas visitas técnicas permitiram criar massa crítica fundamental para a definição e implementação de novas soluções de inovação e modernidade no sector ferroviário nacional, que levaram o engº Almeida e Castro, no livro "Para a História do Caminho de Ferro em Portugal, vol. 5, CP – Comboios de Portugal, Material e Tracção, Os Caminhos de Ferro Portugueses nos anos 1940/70, Lisboa, 2006" a destacar "o facto de termos trabalhado sobre conceitos que só décadas mais tarde o marketing da indústria automóvel apresentaria como últimas novidades."

Alavancado pela Resolução do Conselho de Ministros nº 110/2019, de 27 de junho - que definiu as orientações estratégicas para a revitalização do serviço de transporte ferroviário de passageiros da CP, a recuperação dos níveis de serviço no curto prazo e o desenvolvimento e sustentabilidade da empresa a médio e longo prazo – tem sido também significativa a melhoria da capacidade operacional e funcional da CP e, por consequência, a eficácia do serviço público que a Empresa presta ao país.