A Linha de Sintra
Inaugurada no dia 2 de abril de 1887.
Com raízes em 1855 quando, em 16 de setembro - data em que D. Pedro V comemorou 18 anos - se inaugurou a construção de um caminho de ferro que, de Lisboa, ligasse ao pitoresco palácio da vila de Sintra, servindo ainda a residência real de Queluz, a Linha de Sintra, com origem em Alcântara-Terra, e aprovada no contexto da linha de Lisboa a Torres, foi realidade em 02 de abril de 1887.
Dada a excentricidade relativa ao centro económico das estações de Alcântara e de Santa Apolónia, a Companhia Real promoveu a construção do túnel e da estação do Rossio concretizando, em 1890, a ideia de a capital ter a sua “Estação Central”, para onde foram transferidos (através da Linha de Circunvalação de Lisboa, que ligava todas as linhas com términus em Lisboa: Cascais, Sul, Sintra/Oeste, Alentejo e Norte) os comboios internacionais, nomeadamente o mítico Sud Express, e os de longo curso, entre eles os do Porto.
Como curiosidade, a Companhia Real fez na linha, em 1905, as experiências com as automotoras a vapor Purrey que havia adquirido em Bordéus. Palco onde marcaram presença eminentes figuras da vida pública, artística e política, na estação do Rossio teve lugar um dos mais trágicos momentos da nossa história com o assassinato, em 1918, do Presidente Sidónio Pais. Mas também foi nesta linha que começaram, 10 anos despois e até final do século XX, os interessantes “Concursos da estações Floridas”, com a intenção de melhoria da qualidade do serviço percebida pelos Clientes.
Em contexto do I Plano de Fomento, e concluída a duplicação da via em 1949 – que permitiria novos e melhores horários e, onde poucos meses antes, se introduziram as panorâmicas carruagens Schindler, próprias para serviço urbano - 70 anos após a chegada do primeiro comboio a Sintra, e juntamente com o primeiro troço da Linha do Norte, a eletrificação da linha aconteceu a 28 de Abril de1957, em cerimónia integrada nas comemorações do centenário dos caminhos de ferro em Portugal, com as automotoras triplas elétricas (UTE) da série 2000, construídas pela Sorefame, sob licença do Groupement d’Étude et Electrification des Chemins de Fer en Monophasé 50 Hz, consórcio responsável pelos trabalhos.
Terminou ali a exploração por locomotivas a vapor. Com vocação meramente suburbana, apesar de continuar a receber os comboios da Linha do Oeste, a estação do Rossio “perdeu” para Santa Apolónia a centralidade de estação de partida e de chegada dos comboios de longo curso e internacionais.
O rápido, problemático e desafiante crescimento urbanístico nas localidades atravessadas pela linha impôs, nos anos 90, a sua modernização, com a introdução do convel (março de 1993), quadruplicação (iniciada em finais de 1993 e terminada, entre Monte Abraão e Agualva-Cacém, em Setembro de 2012) e novo material circulante, as UQE’s 2300 que iniciaram em novembro de 1992. Em 1996 a estação do Rossio - que serve cerca de 15 milhões de passageiros por ano - passou a ter ligação direta ao Metro de Lisboa na estação dos Restauradores.
Com 27,2km de extensão, a linha integra o sistema de transportes urbanos da “Grande Lisboa” - contribuindo para o potencial da mobilidade proporcionada pela ligação ferroviária entre as duas margens do Rio Tejo (Eixo Ferroviário Norte-Sul), pela rede de metropolitano, de autocarros e fluvial da capital – com comboios que servem diretamente até Alverca, bem como boa parte do tráfego regional e de longo curso da CP.